Estamira: a lucidez da tolura…

O fin de semana pasado tuven a suerte de conocer a historia de Estamira a través de unha obra de teatro sensacional: Estamira – na beira do mundo, na que a vida de Estemira e a da actriz Dani Barros (boísima) se entremezclaban en algunhos momentos.

Estamira foi unha mulher, «catadora de lixo» no «aterro sanitário» de Jardim Gramacho, que recibe  resíduos da metrópoli de Rio de Janeiro (8000 toneladas o dia) e donde viviu 22 anos. Ela era «portadora de disturbios mentais» e o mesmo tempo tinha uma lucidez impresionante.

A través da sua historia se reflejan muitas realidades:

A dos catadores de lixo, que viven do lixo e muitas veces no mesmo aterro. Aislados e ocultos da sociedad, vivindo do «desperdicio» dela. Me lembrou o documental da Ilha das Flores.

A dos problemas de saúde mental e da cruedal humana con esta realidad. Unha crítica impresionante a muitos médicos, «copiadores» de recetas, sin capacidad ou sensibilidad para ver como personas os seus pacientes que ante un «bom dia dotor, tudo bem?» a resposta é «fale» [*]. Unha crítica tamém a sociedade, generadora e potenciadora muitas veces destes problemas.

A do activismo, a lucidez da tolura. Con un discurso filosófico e ético impresionante com uma missao, a de revelar os que tamos do outro lixo a verdade:

«A minha missão, além d´eu ser Estamira, é revelar a verdade, somente a verdade. Seja mentira, seja capturar a mentira e tacar na cara, ou então ensinar a mostrar o que eles não sabem, os inocentes… Não tem mais inocente, não tem. Tem esperto ao contrário, esperto ao contrário tem, mas inocente não tem não»

 E con principios  e posicionamentos de reciclaje,

«Quem revelou o homem como único condicional ensinou ele a conservar as coisas, e consertar as coisas é proteger, lavar, limpar e usar mais o quanto pode. Você tem sua camisa, você está vestido, você está suado. Você não vai tirar a sua camisa e jogar fora, você não pode fazer isso. Quem revelou o homem como único condicional não ensinou trair, não ensinou humilhar, não ensinou tirar; ensinou ajudar. Miséria não, mas regras sim. Economizar as coisas é maravilhoso, porque quem economiza tem. Então as pessoas tem que prestar atenção no que eles usam, no que eles têm, porque ficar sem é muito ruim»

do comunismo,

«Todos homens tem que ser iguais, tem que ser comunistas. Comunismo. Comunismo é a igualidade. Não é obrigado todos trabalhar num serviço só, não é obrigado todos comer uma coisa só, mas a igualidade é a ordenança que deu quem revelou o homem o único condicional, e o homem é o único condicional seja que cor for»

 do trabalho,

«Foi combinado alimentai-vos o corpo com o suor do próprio rosto, não foi com sacrifício. Sacrifício é uma coisa, agora, trabalhar é outra coisa. Absoluto. Absoluto. Eu, Estamira, que vos digo ao mundo inteiro, a todos, trabalhar, não sacrificar»

ou de Dios,

«Que Deus é esse? Que Jesus é esse, que só fala em guerra e não sei o quê?! Não é ele que é o próprio trocadilo? Só pra otário, pra esperto ao contrário, bobado, bestalhado. Quem já teve medo de dizer a verdade, largou de morrer? Largou? Quem ando com Deus dia e noite, noite e dia na boca ainda mais com os deboches, largou de morrer? Quem fez o que ele mandou, o que o da quadrilha dele manda, largou de morrer? Largou de passar fome? Largou de miséria? Ah, não dá!»

que falan por si mismos. ¿Será que ela era a tola ou os tolos somos o resto?

Nota 1: Todo esto foi gracias o projeto «Jardim Gramacho» do cineasta e  fotógrafo Marcos Prado que encontrou a Estamira e tuvo a sensibilidade de escuitala e de facer muita pedagogía con o documental: «Estamira» (2004) que podedes ver no seguinte link (eu ainda nun lo vín, pero morro de ganas!)

Esta entrada fue publicada en Sin categoría y etiquetada , , , . Guarda el enlace permanente.

3 respuestas a Estamira: a lucidez da tolura…

  1. carmolqui dijo:

    Quería leer o libro e ver o documental antes de escribir estas letras,…pero nun me resistín a compartir as primeiras impresiois de conocer a carismática historia de Estamira…

  2. Marta dijo:

    Encantoume Carmeli!!! Cando volvamos a coincidir na mesma cidade buscaremos máis obras coma esa para ir xuntas… Non sei se Estamira estaba tola ou non, quizáis estamos todos tolos… Bicos grandes!!

    • carmolqui dijo:

      Maaaaaaaartaaa!!
      Jo, qué ganas de compartir teatros y momentos contigo!! te echo de menos!!
      Estamira, nun taba tola,…é o mundo quen está tolo!!
      Beijos amiga!!!
      Carmen

Responder a Marta Cancelar respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *